quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Kota Kinabalu


Bem, a terrinha não é propriamente bonita.
O povo não  tem o mesmo ar limpo de Kuala Lumpur, mas ainda assim vêm uma nativas giras, embora uma grande mistura com indianos e chineses.. Pelo menos não sofre da doença chinesa " cu negativo".

O hotel tinha uma vista fantástica, não posso partilhar grande coisa, porque a maioria as fotos foram na máquina para Portugal. Depois de um escaldão monumental, passei uma tarde inteira a ler e a desfrutar da vista no Le Club do Hotel.

Enjoy it.....


Por falar em escaldão, além dos 30 e tal graus, as praias era bastante interessantes, não só pela parte aquática, mas também pelas criaturas que a habitavam. Não estejam já com pensamentos xenófobos, não estou a falar de chineses or else, mas sim de pseudo-iguanas gigantes ( tipo 1.20 metros) e de javalis selvagens. 

A praia não é propriamente em Kota Kinabalu, mas sim numas ilhotas em frente, para as quais vamos de lancha. Uma viagem sempre interessante, mas que a Magui nunca gostou, não percebo ?!?!?!



Fomos às principais ilhas, Manukan, Sapi e outra que não me lembro do nome... :)
Todas elas diferentes, e com peixes e fauna marítima diferente das outras. Para os amantes de mergulho de e de snorkleling
Eu fiquei-me pelos mergulhos, livros e escaldões...


As refeições aqui melhoraram, embora ainda andassemos uns dias com umas estranhas invenções. descobrimos um restaurante com uma ementam fantática:

- Pão de alho
- Sopa de lagosta
- Camarões grelhados

como em equipa que ganha não se mexe, e depois de uma experiências mais fraquinhas, a base da alimentação era esta ao jantar. O almoço era nas barracas/restaurantes da ilha, naquelas mais top, o que deixava muito a desejar. Mas a certa altura a fome sobrepunha-se a tudo, e afinal nem era assim tão mau. 


A passagem de ano foi feita em Kota Kinabalu, no mesmo restaurante, junto ao mar. 
Efectivamente eles não têm praia, nem areia nem calhaus, nada. A esplanada do dito cujo,  fica num pontão sobre-água. Nesse pontão, com imensas discos, restaurantes e afins, é uma das partes mais movimentadas da cidade, e onde se encontram estrangeiros. Há partes movimentadas noutros lados, mas são mercados de rua, com nativos e ar pouco convidativo. Ainda assim, passámos por uns.

Com o escaldão que estava, ainda hoje, 17 dias de pois tenho pele a sair do corpo, não estava com muito espirito de festa e empurrões, pelo que regressámos ao hotel.
No bar era mais ao menos a tristeza dos outros dias, as mesmas musicas, as pausas de 20 em 30 minutos, sem musica de fundo. A verdadeira animação...

Um dia houve em que experimentei a discoteca, um pseudo-musicais com musica ao vivo, mas de gosto duvidoso. Depois de um blackout de meia hora, achei por bem regressar. Não sei se alguma vez voltaram a ter electricidade, mas não parecia fácil.







Malaca

Tarde seguinte, acordámos, vimos as torres Petronas mesmo ao lado da janela do quarto, fizemos check out e fomos uma vez mais de carrinha para Malaca. Esta viagem de duas horas era algo em contra-relógio, afinal ainda precisávamos de encontrar um restaurante para a noite de Natal. 
Quando chegamos ao hotel o problema foi resolvido, havia um jantar de consoada num dos restaurantes do hotel, pelo que sem hesitarmos fizemos logo reserva. 

A escolha de Malaca para a noite de Natal não foi em nada aleatória. Existe uma forte componente histórica e uma descendência bastante orgulhosa do seu passado português. Além disso, celebra-se a missa do galo, um costume bem português. Bem, isto é tudo bonito na teoria, mas quando chegamos as coisas são ligeiramente diferentes. Lá chegaremos....


A noite de natal correu com naturalidade, o jantar até foi bom, com cornetas, confetis e pequenas bombinhas ( mais ao estilo do reveillon, mas eles são Malaios, Deus um dia perdoa-los-á) mas claro, faltou o caldo verde, o bacalhau assado, as rabanadas, a lareira e todas aquelas coisas que fazem o Natal um momento único. No final, fizemos uma troca de presentes, no quarto mas sem árvore de natal. Foi falha minha, devia ter pedido uma árvore de natal em cada quarto. O facto de continuar constipado, e com uma tosse irritante não ajudaram a tornar o momento muito marcante. 

O dia de natal foi dedicado ao turismo. Partiríamos no dia seguinte pelo que aquele dia não podia ser desperdiçado.
Apesar da tosse, troquei as habituais camisolas, cachecóis e botas, por chinelos, calções e t-shirts e lá fomos nós, na companhia do nosso motorista/guia Zach.

Visitamos o forte, as igrejas todas, o museu marítimo, o forte português, bairro português etc...








Depois de uma manhã/tarde de turismo estava na hora de almoçar.
Já tinhamos reparado que havia uma grande comunidade chinesa em Malaca, mas ficámos terrivelmente surpreendidos quando nos apercebemos que os únicos restaurantes num raio de certo modo próximo do hotel eram todos chineses, ou de fusão com a cozinha chinesa. Obviamente que batemos em retirada e fomos almoçar ao hotel.

Depois de almoço e até à hora de jantar fomos descansar, eu fui mesmo dormir que a minha tosse e constipação já era incomodativa.

O nosso objectivo de Malaca eram as raízes portuguesas da cidade, e até ao momento tinhamos atravessamos 3 ruas do bairro, de carro e de forma relativamente rápida. Era por isso necessário ir mais fundo, e fazer uma aproximação aos luso-descendentes. 






Portugal administrou Malaca no Século XVII, e deixou nesse mesmo século a cidade, ainda embora se mantivessem por lá muitos lusitanos. Ora fazendo as contas rápidas, isto foi sensivelmente há 400 anos, por isso conseguem já imaginar o que são os "portugueses" de Malaca. Na realiade são um povo em tudo igual aos restantes nativos, em cor, aspecto, cultura, mas com a diferença de terem minhotas e grupos de rancho. Se em Macau ver um rancho dançado por chineses já era de difícil encaixe, imaginem uma minhota carregada de ouro, com tez morena  olhos em bico....

O chefe da comunidade portuguesa além de guitarrista é amigo do nosso guia, e pelas informações recolhidas os dois juntos fazem o grupo " seca pipas" que actua de bar em bar, não com a viola, mas com uma sede inesgotável. Para terem noção, o meu guia dado o estado calamitoso da minha tosse deu-me inúmeras receitas, e apenas uma passou por comprimidos, todas as outras eram à base de álcool. Não experimentei, mas estou arrependido, porque ele de facto não tossia.









Voltando à comunidade "portuguesa"...

Ao longo destes 400 anos, os "portugueses" têm-se dedicado à pesca, ao comércio, embora hoje estejam muito bem integrados na sociedade, ocupando mesmo cargos políticos. Isto é tido como algo de extraordinário, o que eu não percebo bem porquê. Porra, ao fim de 400 anos é o mínimo, até os "avecs" conseguiram mais em 40 anos.

O bairro é algo de pouco dignificante para o nosso povo, eu por mim fazia uma colecta anual e oferecia-lhes, só para que digam que são espanhóis. Em boa verdade, o que deveria e feito era apresentar uma previdência-cautela, com efeitos imediatos, para a designação " portugueses" e claro, pedir uma indemnização por dados causado à imagem de um povo e de um País. 

As casa são térreas, vivendas com um pequeno jardim, que contrastam com casas nem sempre tão pequenas. O estilo é claramente piscatório, se houvesse casas com azulejos poderíamos dizer que estávamos na Gafanha ou em Ílhavo. 
Nos tais jardins, que propositadamente não oferecem qualquer tipo de privacidade estavam expostos grandes presépios, arvores e outras decorações alusivas ao natal. A intenção pode ser a melhor, mas o gosto é claramente o pior. Supostamente, as casas estão abertas para receber quem queira entrar, em especial os amigos. De facto vimos as portas escanradas, sendo possível apreciar melhor o gosto refinado da decoração, mas não tivemos coragem para entrar em nenhuma. Aliás, no meio daquilo queriamos mesmo passar por espanhóis ou italianos.

Como não podia deixar de ser, fomos aos famosos restaurantes portugueses, comer a famosa comida portuguesa.
O sítio é muito giro, uma praia, na baía, e os restaunrantes encontram-se todos juntos, debaixo de um telheiro, bastante arejado. 
Qualquer um dos restaurantes não prima pela higiene, segurança alimentar e todas essas coisas más que a ASAE nos habituou tão mal. 
A comida de portuguesa não tinha nada, uns camarões grelhados em manteiga, algo que tinha tanto de saudável como de delicioso. Aliás, chegavam mesmo a ser um pouco enjoativos. Os meus pais, pouco habituados  a chinesices não gostaram muito, não percebo porquê?!?!?

O Inicio das Férias

No fim disto, fui a correr para casa, acabar a mala que mal tinha começado, e lá fomos todos de autocarro até ao aeroporto de Shaoxang, mais conhecido como aeroporto de Hangzhou.
Este aeroporto é um bom retrato da China. As lojas vendem aquelas especialidades gourmet que só quem por cá passou conhece: patas de galinha, peixe seco, rebuçados de carne...
A livraria tem livros em inglês, dois, e porque são de fotografias de Hangzhou. E os restaurantes é a democracia no seu melhor. Tirando uma treta de comida chinesa, em regime de fast food, existem uns quantos restaurantes, todos diferentes entre si, mas que incluem as mesmas opções, e aos mesmos preços. Isto sim é um exemplo perfeito de economia de mercado... A opção é sempre a mesma, sandes de ovo e fiambre e uma coca-cola.

No fim de algum tempo de espera, no meio de gente muito feia, carregadas de coisas inacreditáveis, desde 3 caixas com helicópteros telecomandados, caixas com panelas, passando pelos míticos caixotes carregados de frutas e vinho, lá fizemos o check-in rumo à Malásia. 

Depois de 4h30m sem dormir aterrámos na Malásia, eram quase 5 da manhã.  Depois de recolher bagagens, negociar carrinhas ( as malas além de poucas eram pequenas) lá fomos direitos ao hotel em Kuala Lumpur ( cerca de 1h do aeroporto). Quando chegámos, depois de um pequeno-almoço fantástico era hora de ir dormir. Afinal eram 7 ou 8 da manhã, e o corpo começava a ressentir-se - a constipação brutal apanhada em Shaoxing ajudavam muito.

Shaoxing

Depois de uma viagem bem digerida, nem por isso dirigida, num autocarro dos bons ( nem sabem a sorte que tiveram) chegámos a Shaoxing. Não sei antes passarmos às portas da Lorenz Bell.
À chegada tive logo uma discussão com um taxista, uma perfeita besta que não nos queria levar ao Hotel. Receberam logo aí as chaves de ouro da cidade.

Depois de instalados num dos melhores quartos do Hotel Margaret, bom mas claramente o pior hotel onde passámos durante as férias estava na hora de lhes apresentar a minha casa.

Em Shaoxing, estavam à espera de encontrar uma Penha Longa ou uma Quinta do Lago... O que encontraram foi um prédio, onde moram chineses e por isso mesmo apesar de ter menos de 3 anos, aparenta bem uns 30 anos. Não é exagero.
Quando entraram em casa ficaram mais aliviados, mas ainda assim o choque anterior tinha sido demasiadamente forte. Claro que eu expliquei logo onde eram as saídas de emergência, e dei-lhes um mapa para não se perderem. Aquilo é tão grande que por vezes até eu me perco. Para ajudar à festa, tinha a casa toda desarrumada, e umas quantidade enorme de roupa pendurada. 

Como acreditam, ficaram seriamente entusiasmados com a casa, estava a ver que já não iam para o hotel, queriam ficar a ali a dormir.

O jantar, para não variar muito foi no Banana Leaf, essa instituição só superada pelo Starbucks. Para os que estão já com ideias, tenho a informar-vos que não fomos uma única vez ao Starbucks...
Apesar do frio fomos a uma massagem, de pés, mas claro no fim do Apsara, não ficaram propriamente encantados. Também por 5€, estavam à espera de quê?

No dia seguinte, foi relativamente calmo. 
Um almoço no Margaret, no restaurante Grandma's, foi algo de bastante interessante. O primeiro, e exceptuando viagens de avião, o penúltimo contacto dos meus pais com comida chinesa, e de todas as iguarias chinesas, saliento as abelhas/baratas fritas, que a minha quase vomitou quando soube o que era. Não percebo porquê???

Fomos à fábrica, porque há quem tenha de trabalhar, apresentar os meus colegas ( quase todos), mostrar as instalações, uma pequena introdução aos produtos e após uma visita guiada fomos ao banco. Afinal, pelo tempo que passo lá, é quase a minha casa. Acho mesmo que vão sentir a minha falta depois da minha partida, o CCB de Shaoxing ficará mais pobre. Escusado será dizer que foi o resto da tarde no banco, a tentar resolver problemas inexistentes num país sem direcção central. Como diria o Prof. César das Neves " é por isso que o comunismo não nos leva a lado nenhum".

Depois desta tarde animada, começaram a notar-se os sinais de jet lag, pelo que o resto da tarde foi passada, para uns a dormir, para outros a trabalhar em casa.
O jantar, para evitar o frio siberiano que se sentia na rua ( -7ºC, Windchill) foi novamente no chinês do hotel. Devo dizer-vos que é dos poucos restaurantes chineses que vou com gosto, muito embora duas vezes numa semana seja puxado, quanto mais no mesmo dia. 
 
Dia seguinte, acordar cedinho, fazer a mala que as férias estavam finalmente à porta. os último dias custam sempre mais a passar, e quando temos um prazo definido, parece que perdemos as energias e o cansaço prevalece sobre tudo. Confesso, sentia necessidade de férias...

Mas ainda assim havia umas quantas coisas a resolver. Ir à empresa, ir ao banco...
Sim, é isso mesmo que estão a pensar. Fiquei mais umas horas no banco, para resolver mais um daqueles problemas, inacreditáveis. 
Desta vez, para pagar a um transitário, gerido por um amigo, que fez o transporte de mercadorias para a nossa empresa mãe, entre várias coisas preciso de 3 contractos diferentes, muita paciência, uma semana, e mais uma dúzia de requisitos burocráticos e surreais. 

Shanghai II


Mais um dia com um despertar cedo, e a chuver, xintiandi pareceu-me fora de questão.
Ora nada mais interessante que ir às compras na Nanjing Xi lu, correr os centros todos: Plaza 66, Citic, West gate mall...

No fim desta tarde cultural e altamente produtiva, fomos para a Shanghai South Railway Station, apanhar o autocarro para Shaoxing. Um nova etapa ia começar....

Noite em Shanghai II

Já sem o RP da noite de Shanghai fomos jantar ao New Higths, e resolviam-se dois assuntos de uma vez.
Primeiro o restaurante para jantar, segundo a visita ao Bund.
Ora para mim, o Bund é muito bonito de dia, com uma boa bebida na esplanada, mas....
mas não é superada pela vista à noite ( até às 22h ).
Pena foi que estivesse nevoeiro, a adivinhar o dia chuvoso que estaria no dia seguinte.

Depois do jantar não se livraram do Apsara. Eu contra a minha vontade fui para o Velvet...
Eu não queria, até porque não gosto nada, mas pronto insistiram tanto e era a festa de despedida da Paulinha, tive de ir. Mas contrariado :)




 
  



A despedida do Pedro

De volta ao Hotel, reencontrei o Pedro ( desde a noite anterior), sim porque geralmente íamos juntos para casa, muito embora acordasse-mos em quartos diferentes. É bom explicar....
Estava quase na hora acordada com, mais uma vez, o Mr. Button e com isso a partida do Pedrinho.
Depois de uns problemas com a bagageira que não abriu, e não, não foi um presságio, uma despedida mais ou menos rápida e foi o fim de uma grande dupla da noite de Shanghai.