quarta-feira, 15 de julho de 2009

Há coisas que não mudam, e quando mudam...

Isto de confiar em chinos para marcar o hotel não é bom... O hotel não é mau, embora fique a anos luz do "Magalita", mas é totalmente "chenês". A prova máxima é o colchão, tábua de madeira, que só de me sentar acho que parti qualquer coisa. Mas tivesse ele uma net rápida e pequeno-almoço ocidental e tudo melhorava. Há coisas que nunca mudam...

Depois de me instalar lá fui para o jantar com o homem da LB na província, para explicar-lhe ( parte) da nova estratégia e os planos que temos para ele. Tal como suspeitava, não se mostrou muito entusiasmado, há coisas que nunca mudam....

A meio do jantar, e da conversa, fiz uma pequena pausa para contemplar alguém que assistia atentamente à conversa, mesmo junto à nossa janela do restaurante embora do lado de fora do vidro. Podia ser um daqueles chineses que nunca viu um ocidental, ou nunca tenha visto alguém de barba ou outra coisa qualquer, mas não. Era uma criatura quase tão feia, de quatro patas - uma ratazana. Já à minha chegada a Shaoxing tinha sido recebido por uma na fábrica. Há coisas que nunca mudam....

Após essa breve pausa continuámos a conversa, passámos para o Starbucks e ainda andámos um pouco a pé para desenvolver as ideias. Pois bem, no final, depois de tudo explicado, esmiuçado e justificado, a criatura continuava com a mesma opinião que tinha antes. Há coisas que não mudam...

A internet, ai a internet.... Uma vez disse, eu para trabalhar preciso de 3 coisas: ar-condicionado, o meu ipod e o meu mac com net. Tudo o resto é irrelevante...
Ora os chineses sempre foram conhecidos pela sua grande tolerância a essa coisa chamada internet, mas agora estão a abusar. Que bloqueiem o blog, menos mal. Que a internet seja lenta, vá, aceita-se. Agora que seja mais lenta que um modem de 24k e que me bloqueiem o Facebook????

... e quando mudam é para pior!!!!!!!!

O Regresso...

As saudades já se faziam sentir. Não dos chineses, não da comida, mas da mística que, apesar de tudo, este país reúne....

Agora que estou nesta parte do mundo, tenho saudades de noites como a de sábado, boa comida, companhia da família, dos amigos e de muito mais que ficou em banho maria....

A viagem começou no domingo às 9 AM de Portugal, com saída da Figueira, rumo a Lisboa, com breve passagem pelo Alqueidão. ( Além de me encontrar com os meus pais, fui também despedir-me do Spi...)
Lá fomos nós para o aeroporto, eu de pendura, coisa rara, mas havia check-in para fazer e mails para responder. Depois de uma estadia no aeroporto mais demorada do que suposto, deu-se o momento das despedidas, pai, mãe e o Dr. Teixeira.

O primeiro voo, com destino a Londres só partiu com uma hora de atraso o que foi ajudar ao pouco tempo que restava para a ligação. Não fossem os ingleses uns tipos chatos e picuinhas, não nos obrigassem a retirar cintos, sapatos, relógios etc etc etc a coisa tinha-se feito de forma mais rápida e relaxada. Felizmente não tenho dentes de ouro, senão acho que também os tinha de tirar...
Ainda assim e quase sem fôlego por tudo o que tive de correr no aeroporto ( quase a distância Portela-Canha) ainda consegui fazer os habituais telefonemas nostálgicos. Se estás a ler e não recebeste um telefonema, é só porque não tive tempo de chegar ao teu nome na lista.... :P

Mais uma volta mais uma viagem, desta vez o destino foi Hong Kong. 13 horas de voo, onde deu para dormir, comer, trabalhar, ver filmes, ouvir musica, trabalhar, comer, dormir e se não me tivesse esquecido das agulhas ainda tinha feito uma boa dúzia de camisolas de lã.

A chegada a Hong Kong demonstrou bem o estado de pânico que se vive com a Influenza A. Além dos tonos que já viajaram de máscara e luvas, havia um batalhão equipado com um termómetro em forma de comando de slots ( ai que saudades das corridas de slots), que nos apontavam à testa e retiravam a temperatura. Era uma coisa destas que me fazia falta quando era puto...

Depois de entregar os papéis e carimbado o passaporte lá fui eu procurar o meio de transporte para a China Mainland, Guangdong province, mais uma brilhante viagem.
Acho que devia ser do sono, ou de ter tido tantas pistolas/termómetros apontados à cabeça e por um mapa que foi claramente enganador, fui de autocarro em vez de comboio. E aí começava mais uma saga, daquelas a que ao longo de 9 meses vos fui habituando.

Logo para começar, já estava eu cheio de autocolantes da "AVIC de Hong Kong", os cartões não passavam na máquina e o que era suposto ser utilizado não permitia levantar dinheiro. Perfeito, após muita insistência e paciência lá consegui levantar Hong Kong Dollars com outro cartão. Lá paguei e fui apanhar o autocarro.

Primeiro controlo, saída de HK... Mais um comando de slots apontado à cabeça, mostrar vistos, carimbar e pronto para outro.
Passado algum tempo controlo para entrar na China... Outro comando de slots, desta vez dentro do autocarro, mais uns formulários e lá fomos nós de bagagem para passar no raio-x.
Apesar de ter tido tudo ok no autocarro, e até ter ganho um cartãozinho verde, lá houve um chino estúpido que me achou doente ( não seria pelas 24h fora da cama???? ) e mandou-me para a pseudo-quarentena. Um sitio de alta vigilância, guardado por umas baias e ao alcance de qualquer um. Aí voltei ao velho termómetro de mercúrio, sim daqueles que estão proibidos em Portugal, e depois de uma espera de 15 minutos, lá me disseram que era falso alarme, só tinha 36.8 graus, o que é algo bastante raro dada a temperatura ambiente. Obviamente que com esta brincadeira, perdi o autocarro onde vinha.

Por sorte apanhei um chinês simpático, também os há, que já se tinha oferecido para tradutor na "quarentena" e viemos juntos no autocarro até Guangzhou. À chegada aconselhou-me qual a cor de táxi em que devia ir, e foi aí que percebi que o meu chinglish não está famoso. Não é que o artista estuda há dois anos no Canadá e eu quase não percebia nada do que ele dizia?!?!? Em compensação, o meu chinês está quase igual o que é positivo... .)

Depois de uma volta ao fim do mundo, e mesmo na altura de completar 26 horas de viagem ( 11 AM em Portugal) cheguei ao hotel.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Carimbos...

Muito tem sido falado sobre os carimbos na China.
São sempre muitos, encarnados, falta sempre um, e por vezes há um a mais.

Numa forma simplex eu sugiria apenas a utilização de um carimbo-único.... 




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Dia 11 de Fevereiro

Este é um dia que me marcará para sempre.
Depois deste dia nada será igual, ficará registado na minha memória até ao último dos meus dias....

RETIRARAM A ÁRVORE DE NATAL DO HOTEL MARGARITA


Depois de 3 meses de convivio diário, este dia significou a perda de um ente querido :)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Acabou a Intifada

Ontem foi o último dia de foguetes, morteiros, bombas e afins.
Nas primeiras horas do dia de hoje, como já não há nada disso pensei " Estou surdo!!!". É uma sensação estranha, mas fantástica.

Uma sugestão para combater a crise, ser fogueteiro na China. Conheço muitos que gostariam de ser nas Alhadas, mas na China ganha-se mais dinheiro :)

Almoço em casa do Conan

Com a MJ já em Shaoxing, começou o plano de introdução à cidade e aos locais.
Nada melhor que um almoço com estrangeiros e nativos....

Fomos convidados, para celebrar o Ano Novo, para ir almoçar a casa(?) do Conan, com a sua familia. 
Numa atitude pouco machista, as únicas mulheres à mesa era a MJ e a qqcoisa ( mulher do italiano), tudo o resto eram homens. Ainda assim dava um rácio superior ao existente no país.

As regras são as normais, vinho de Shaoxing ( por acaso com moderação), cuspir ossos para cima da mesa, comer o que vem, etc...
Deram-nos um taça, um par de pauzinhos, e colocaram os habituais pratinhos, com comida diferente em cima da mesa. Para não variar, e afinal era um jantar chinês, a toalha era plástica e descartável, e a taça era mesmo para encher com vinho.

Entre as várias iguarias, destacam-se as tripas e as tartarugas, ambas com um sabor agradável.

Passagem de Ano

Possivelmente na TV, como os olimpicos, deve ter sido algo fantástico, mas na realidade foi uma treta. 
Fogo muito disperso e em nada superior ao Português. Em compensação, tudo o que mexe na China aproveita esta semana para fazer a sua intifada com foguetes.
Ao longo de 3 semanas senti-me em Gaza, com bombardeamentos constantes, e um cheio insuportável a pólvora nas ruas. Pelo menos abafava o stinky tofu.


Isto do spring festival é qualquer coisa de doidos, principalmente quando somos os únicos desgraçados que ficam a trabalhar. obviamente que foi opção minha, para compensar as férias natalícias.
É um pouco como trabalhar em Portugal no mês de Agosto, não há nada nem ninguém, uma paz. isto permite fazer todas aquelas coisas, impossíveis em qualquer outra altura, mesmo durante os fds.
O problema, além dos foguetes, é que nas ruas temos 10x mais chineses do que o habitual. Penso que já reflecti sobre isto em Outubro, mas é algo que me continua a intrigar. De onde é que vem toda esta gente??? Será que vivem em buracos e só saem duas vezes por ano???

Em contrapartida, Shanghai ficou deserta, com praticamente todos os estrangeiros fora, continua a ser uma cidade interessante, mas menos.
Felizmente ficaram poucos mas bons, entre eles os C12 entre outro povo latino. Um vez mais, o Mao derrotou-nos, e mantém as estatísticas a 100%.