quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Bairro Muçulmano

Após uns dias a correr, decidimos que era tempo de abrandar o ritmo, e com o grupo reduzido a metade, as coisas eram menos stressadas.
Fomos passear pelo bairro muçulmano, fazer umas compras, provar umas coisas estranhas na rua, tudo muito calmo.



Como sabem eu até nem tenho nada contra os islâmicos ( e mesmo que tivesse não dizia, não fosse aparecer um bombista suicida no blog), muito pelo contrário, tenho grandes amigos em países islâmicos,  mas os bairros islâmicos não são propriamente conhecidos pelo asseio e pela limpeza, independentemente da cidade, do país ou do continente em que estão inseridos. Ora, se isso é assim nos outros países, imaginem o que são os restaurantes islâmicos na china....

Estão a imaginar??? Eu mostro umas fotos.....

No fim de andarmos um dia inteiro a passear, provar coisas que continuamos muito bem sem saber o que são, e a gastar dinheiro, resolvemos passar à parte cultural da coisa.
Comecemos pela mesquita......

Esta mesquita é um dos pontos turisticos de referência em Xi'an, obviamente não tanto como os guerreiros, mas aparece na wikipédia, quando pesquisamos mesquitas. Como não tinha fotos da Turquia nem Marrocos no Mac, tive de fazer um google sobre mesquitas.


Quem estava à espera de ver cúpulas, minaretes, fonte das abulações e coisas parecidas pode esquecer... Basicamente isto é um templo chinês, mas com uns caracteres mais bonitos ( mas estranhos na mesma), e o povo tem uma roupa diferente. 


Após este momento religioso, decidimos ir visitar mais uma treta de museu, e aproveitar para assistir à cerimónia do chá.

A cerimónia do chá é um ritual bastante interessante de se ver ( fazer é outra coisa) comparado ao café de balão, mas com uma "pinta" consideravelmente superior. Infelizmente a menina estava muito nervosa e ansiosa e daspachou-nos rapidamente, mas sem antes  enfiar 6 ou 8 chávenas de chá a cada um. Finalmente descobri algo melhor em Shaoxing, a cerimónia do chá.


Lá fomos nós ver o museu, cheio de coisas interessantes, tudo de época, que depois de alguma insistência afinal também havia porcelana nova misturada.

Das poucas coisas interessantes foi um par de sapatos em porcelana, que as meninas calçavam com 6 anos, de forma a manter o pé pequeno. Foi isto que fez falta ao António....



No fim de mais um jantar de aventuras, mas também este bom, fomos visitar mais umas bancas até que reparámos que nos faltava uma máquina fotográfica. Corremos tudo e mais alguma coisa, e acabámos a noite na esquadra, a tentar fazer uma declaração de roubo (embora não haja assaltos na china), com 4 policias que se riam de 5 em 5 minutos, e afinal sempre há assaltos, porque aquilo é o bairro islâmico. E o facto de haver uma esquadra a 200 metros do suposto local onde fomos assaltados não é suficiente. Com declarações destas da polícia, depois admiram-se que venham lá uns tipos e limpem uma esquadra inteira de policias e outros que andem a por bombas. 

Massagem...

Depois de um dia nas montanhas, cheguei a casa com 5 vezes mais tendões, descobri músculos que não sabia que existiam, e mal podia mexer os pés.... Foi unanime a decisão de ir à massagem. 

Nós deveríamos ter percebido que no hotel, a avaliar pelas meninas que andavam a passear, não era uma boa ideia, mas depois de um dia daqueles o tico e o teco já não funcionavam.

Aquilo não começou bem, desde o inicio quiseram vender o que não queríamos comprar, e acabou com o tentar cobrar aquilo que não venderam. Á distância parece giro, mas na altura já estávamos mesmo a perder a paciência.

Pelo menos a massagem ajudou a relaxar, e com uma boa noite de sono no dia seguinte estava novo. Pior sorte tiveram os nossos de Macau, que voltaram a acordar à mesma hora para apanhar o avião até Beijing.


Hua - A Montanha...


Se a minha estadia em Shaoxing me tinha limpo os pecados todos, e dado um crédito interessante, depois deste dia passado nas montanhas, meus amigos, não limites....

A saída do hotel deu-se às 5h30 da manhã, hora em que qualquer pessoa normal está no seu primeiro sono, e hora em que não pequeno-almoço no hotel. Nem as "meninas" que tinham uma camarata em frente ao nosso quarto ( algo que eu nem comento) andavam a passear nos corredores do hotel. 

fomos de autocarro, às voltas pela cidade até à concentração de autocarros. Aparentemente aquele era para nos ir buscar ao hotel. Depois de algum tempo de espera, e uma hora depois da partida ( leia-se teria sido mais uma hora de sono) fomos em direcção à Montanha Huan.

Ora quando alguém parte em excursão às 5 da manhã, pensa que vai fazer uma viagem de 2 ou 3 horas a dormir, sem grande stress.... Enganem-se, fomos mesmo a gramar com um estúpido guia chinês, que não parou de berrar ao nosso lado não obstante de estar também com um microfone. Não fossemos nós conseguir dormir com tudo isto ( e mais uns chinos a guinchar) tivemos ainda direito a umas 28 buzinadelas por minuto do nosso amigo condutor.

Durante esta animada viagem tivemos 3 paragens:

 - 1ª no auto-estrada, mais propriamente na berma, para por uns tipos fora do autocarro que se recusavam a pagar o resto. Infelizmente pagaram e não se concretizou o mais interessante;

 
- 2ª Para ir à "casa-de-banho" uma mata, com um muro, à beira da estrada, com um cheiro terrível e que os mais corajosos chegaram a apenas 20 metros da dia cuja;

 - 3ª Pequeno-almoço


Ora, a certa altura começou quase-tudo a gritar que tinha fome ( os chineses) e eles ( aparentemente) contrariados pararam num sitio para tomarmos pequeno-almoço.

Para pequeno-almoço tinha pouco, começava com umas salas onde nos falavam de umas ervas e umas tretas naturais ( um pouco tipo IURD)e passávamos de seguida a uma farmácia, daquelas que vendem coisas estranhas ( leia-se ervanária). Claro que eu passei pela sala, tirei umas fotos e nem esperei pelo inicio da catequização, saí logo.  
Na tal farmácia havia 3 "médicos" o fumador, o velho jarreta e o "alves dos reis" que gratuitamente nos faziam uma consulta. Eu não podia perder uma coisa destas....


Chamei a Mónica, rapariga muito prestável para estas coisas e pedi para traduzir, o que o velho jarreta dizia, pensando eu que ia ser uma coisa longa e demorada.
Em 2 minutos viu-me a pulsação nos dois pulsossimultaneamente), mandou-me por a língua de fora ( nem hesitei) e disse-me que tinha uma pedra no estômago. Fiquei logo preocupado, mas depois lembrei que era da sande de pedras que tinha comido antes de sair do hotel, e que portanto estava tudo bem.


A mim, de cabelo rapado, barba, despachou-me logo, dever ter pensado " este maltrapilho indigente não tem dinheiro....", a Margarida ( Mãe da Teresa) levou um receituário ( sempre quis utilizar este termo) superior à minha estimativa de 1000 bimbys. Obviamente, não comprámos nada, e voltámos para a carreira.

Depois de mais uma infindável viagem chegámos finamente à treta da Montanha, onde esperava que o pagamento de mais uns 300 Bimbys tivessem servido para não estarmos à espera etc... Uma vez mais enganei-me, estivemos talvez uma hora na primeira fila ( mini-bus) para depois irmos para uma segunda fila ( teleférico) e por adiante


Desistimos da segunda, e começamos a fazer o que salvou o dia, uma escalada pela montanha


Entretanto enquanto esperávamos, começou o circo, e fogos conhecendo alguns dos protagonistas:



Apesar de ser feito por escadas, era uma verdadeira escalada como as fotos demonstram.

Para este percurso precisamos de mais algumas coisas:

- Esquecer as vertigens ( o que não aconteceu com todos)


- Alguma resistência física ( curiosamente à mesma das vertigens)


- E cantar a música do nosso amigo Carlos Alberto Moniz.



A subida foi gira, divertida, sobretudo com os animais existentes. As fotos abaixo exemplificam isso.


Um deles com uma camisola ( fakessíma!!!) de Portugal


É impressionante a quantidade de criancinhas que havia ali no meio, e mais incrivel ainda é haver pais que levam uns filhos para sitios com tão perigosos e deixam as crias à solta.
Como sabem não sou nada ambientalista nem sofro nenhuma dessas doenças verdes, mas custa-me ver um sitio daqueles, a ser vandalizado e poluído da forma como é. não vou falar do lixo normal que esta raça faz, mas o cumulo é atirar sacos do lixo ( tipo 50 kgs) pela montanha abaixo. Ou seja, nós andamos a por as coisas no caixote do lixo, e depois quando estão cheios, fecham os sacos e atirar para baixo.


No fim de chegarmos a 1 dos 5 picos decidimos regressar. Havia alguém em bastante sofrimento dada a altitude e por isso decidimos vir de teleférico. Pode parecer contraditório, mas descer era bem pior, especialmente quando estamos m filinha com 1 milhão de chineses atrás a empurrar

Depois de uma longa fila, em que decidimos ensinar ( com excelentes resultados e grande descontentamento) que não se passa à frente nas filas, chegámos ao teleférico, não sem antes tirarmos umas fotos junto aos cadeados do amor.  Depois de uns quantos polinhos e baloiços (  o que fez alguém gritar bastante) chegámos ao ponto de partida. Tinham passado 6 horas....
Durante este tempo, alimentámo-nos do farnel ( afinal isto era uma excursão) que tinhamos levado, e de umas quantas coisas ( essencialmente frutas e ovos cozidos) comprados na base da montanha. em cima, além de raras, as bancas tinham coisas pouco apeteciveis


De volta ao hotel, com o mesmo trajecto sem as casas-de-banho e sem os curandeiros, aproveitamos para cantar e cantar e cantar. No final de um dia, começado às 5h30 da manhã, e no meio de 1 milhão de pessoas, conseguimos contar 7 pessoas sem olhos em bico.

P.S:   fiz várias referência ao facto das criancinhas chinesas serem muito práticas, e não não utilizam fralda como têm as calças abertas no rabo. Ora um companheiro nosso de viagem, estava muito bem no autocarro quando o puto que estava do outro lado do corredor começou a fazer xixi para cima dele. Aqui fica a foto da criancinha, que comigo tinha levado ele e a mãe...

Os Guerreiros, o Imperador e o barrete aos turistas...

No dia seguinte, e após uma bela noite de sono, iniciamos as excursões maravilha. 
O programa deste dia consistia em:

Partida às 8h30 AM,
Cidade Neolítica com 6000 anos
Guerreiros de terracota
Túmulo do Imperador
Hotsprings


Depois do pequeno-almoço maravilha...

Fiquei no recepção do hotel, possivelmente a mais desconfortável em que já estive, à espera do autocarro. Esperei, esperei e esperei e nada.
Passado duas horas apareceram, a agência tinha-se esquecido de fazer as nossas reservas, claro que nós fizemos questão de massacrar os guias por causa deste incidente. Quer dizer, eles já não iam ter um dia fácil mas depois disto não queiram imaginar :)

Começamos logo por um sítio interessante, os resquicios de uma cidade neolítica, com 6000 anos.
Ora, nada melhor que ver um terreiro, com uns buracos no chão, tudo em barro e ouvir explicações no mínimo pouco convincentes.



A salientar:

- o badochas que hemanava um cheiro terrível

- um alguidar plástico todo colorido no meio daquilo


- as vigas da cobertura metálica ( feitas recentemente) que apoiam em lado nenhum,

- chineses a dormir

- Gozar com chineses

- a seca brutal que apanhámos a seguir um gordo, chato e que fedia.






Como isto estava a ser uma visita de grande interesse histórico, fomos para outra que não ficou atrás. 
Visitadar uma fábrica de guerreiros de terracota, uma coisa rápida ( uns 5 minutos) seguidos de 30 minutos na loja da fábrica. 

A salientar:

- Tirar fotos



 
- Gozar com chineses

- Discutir os movimentos da terra, lua e sol ( só
 por aqui vêm o quão interessante era aquilo tudo)


- Tirar fotos à Mao...


Obviamente que saimos com o mesmo peso nos bolsos e nas mochilas com que entrámos.
Gostámos muito, foi muito giro, mas para a próxima também podemos passar esta parte.


Com todas estas coisas era hora de almoço, coisa sagrada, mas como se esqueceram de nós de manhã, adiaram o almoço para depois da visita aos guerreiros. Valeram-nos as senhoras da fruta...


Aqui sim seria o ponto alto da visita, uma das coisas que eu tinha ilegido com imperdíveis na china. Parece que fui eu e os 2 mihões de chineses que decidiram ir no mesmo dia, tornando o que seria uma bela visita histórica, numa verdadeira enchente.


A fome não ajudou, e o facto de me sentir na Arca de Noé também não, mas estava à espera de melhor. Mas sempre gozámos com mais uns quantos chinos:


Finalmente fomos almoçar, já quase  a precisar de umas garrafas de soro ( ai não, isso é só para a garganta...). mas antes passámos por uma piramide, sim uma piramide.
No inicio pensei que fosse uma miragem, com tanta fome e fraqueza, mas depois pensei " De facto estou farto de ver camelo..." e acreditei. No final do almoço a piramide mantinha-se lá....


Já de barriguinha cheia, e estranhamente o almoço foi muito bom ( ou era mesmo a fome), continuamos a nossa missão de chatear o guia enquanto ele nos levava a sitios supostamente interessantes.
Para finalizar isto rapidamente, fomos à recontrução do túmulo do imperador ( qualquer museu de aldeia é melhor que isto) e fomos aos banhos do imperador - tudo nesta terra é do imperador - banhos esses onde já nem água há. 
Valeu a pena só pela foto com a mulher do imperador, leia-se estátua, que pelo tamanho do busto continuo a dizer que não era chinesa.



Depois de tudo isto, fomos para o Hotel e claro, não tinhamos hotel.
As reservas tinham ficado até às 17h, como nós chegámos com 2 horas de atraso ( de quem teria sido a culpa) ficamos sem quartos.
Após muita confusão, muito tempo perdido no Hotel Melody ( este nome fascina-me) lá conseguimos arranjar um hotel para dormir. Não foi barato, mas era limpinho, no entanto tinha uma fauna estranha...