quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Spring Festival


Spring Festival

A China não pode ter  só coisas más, aparentemente também tem coisas boas. É o caso das férias nacionais em outubro ( Golden Week) e no inicio ano novo chinês ( Janeiro ou Fevereiro).

Nesta semana tudo o que não é turistico encerra e dá-se uma debandada geral. Quem pensa que Lisboa fica vazia em Agosto, e que o Algarve fica à pinha tem de vir à China. Depois destes dias, vou certamente sentir-me triste e só da próxima vez que for à falésia no mês de Agosto.

Até Shaoxing, esta terra desgraçada e perdida do mundo ficou irreconhecível. Parecia que durante todo o dia eram 22 horas, quando fecham as lojas e as ruas são invadidas por pequenos seres barulhentos, com motas irritantes que os únicos barulhos que produzem é um chiar e um ganir que perfura tímpanos de mármore. 



Se Shaoxing estava assim, imaginem o que era Xi'an, uma das terras ( terras sim, para cidade faltam uns quantos requisitos). Lá chegaremos....


Encontro C12 + não Inóvios

Num intervalo de 30 minutos, vindos de 3 pontos diferentes da China reencontraram-se, no aeroporto de Xi'an, 3 C12 e outros tantos alheios aos trabalhos do AICEP: A Teresa Pequinesa Rapazote, e respectiva Mãe, o Mário de Macau, o Tiago também de Macau mas não i9 e a Mónica, amiga deles, natural de Singapura e obviamente também não i9.


Começavam assim 5 dias de aventuras e desventuras, dos quais eu não tinha hotel marcado. Se fui para Marrocos na semana de férias do país sem hotéis marcados, porque não repetir a façanha na China, na cidade mais turística que o povo consegue encontrar por cá.  Pois se calhar eles aqui são ligeiramente mais que os marroquinos e não terá sido boa ideia. Mas fica uma lição. Se calhar não fica..... 

Enquanto decidíamos o programa das festas, que excursões fazer, com que agência, que hotel marcar para os dias seguinte ( e para mim no primeiro também) fomos admirando a fauna. 
Admirando, e se tivéssemos cadernos podíamos fazer uma tese, porque a menina que foi connosco começava a falar com os chinos, e era coisa para 15 minutos sem interrupção.  Foi daí que saíram estas belas fotos, as primeiras na terrinha.



Ao fundo como podem constatar, está um chino que ou estava a tentar meter conversa connosco em português, ou estava a tentar meter conversa com a menina do placard. Ficará para sempre esta eterna dúvida. 

Depois de horas de reunião, e felizmente que ainda não tínhamos almoçado ( senão era o resto do dia e da noite) lá decidimos por um programa para o dia seguinte, escolhemos o hotel onde íamos ficar nas restantes noites, e onde eu ira ficar nessa mesma noite, e pré-definimos ( pensava eu...) o programa para o 3º dia. 
Após esta célere conferência de várias horas, fomos cada um para seu hotel com o intuito de nos encontrarmos mais tarde na muralha. 

Hotel 1

Bem, a coisa não era grande espingarda, já fiquei em piores e mais pirosos, mas este não era de todo agradável.
Na manhã seguinte fui tomar pequeno almoço, e informaram-me que custava 15 bimbys. Ora como já tenho uma certa experiência ( e nunca agradável) com pequenos-almoços chinos, pensei que seria melhor ir espreitar, antes de desperdiçar 1.5 euros. E claro, fui investir esse dinheiro noutro lado porque de facto aquilo era calamitoso. 



Porta Sul


Voltando à tarde do primeiro dia, depois de nos instalarmos  nos hotéis, fomos-nos perder uns dos outros para a porta sul da muralha. Aparentemente cada "taxista" tem uma noção diferente da localização exacta da porta sul, e claro andamos perdidos uns dos outros. Desistimos, fomos jantar, mas haveriamos de voltar mais tarde.

Jantar 1

Deu-se o que eu mais temia, jantar chino, mas jantar chino numa tasca,o que só por si não pode ser bom. 
Uma refeição à base de dumplings e de sopas, com muita Tsingtao à mistura, tudo isto pela módica quantia de 90 cêntimos. 
Avisei logo, que aquilo era o primeiro dia, e estava tudo muito excitado, mas que tinhamos de começar a ter contenção de custos. Não podiamos continuar a esbanjar dinheiro assim. 


Regresso à porta Sul

Depois de jantar, e sem a fome que nos perseguiu durante horas, podemos disfrutar e apreciar a bela muralha e envolvente da porta sul.



Houve tempo para tudo....


.... ver meninas fantasiadas para o Carnaval, 


... um concerto de um sere feio a latir umas coisas estranhas,


.... compras,


... fotos parvas,


..... e ainda coisas que eu não faço ideia, e não comento. Lembro só que era um local público e que havia crianças a passar :)



Foi também aqui que começaram alguns dos registos históricos que mais vão marcar as familias chinesas nas próximas gerações: Fotografias com Ocidentais.


Antes de férias....

O último dia antes das férias, domingo, foi um dia bastante interessante.

Além das peripécia no banco da China, onde passei a perceber porque é que existe um vidro que separa os cliente do bancário ( aqueles 3 ou 4 energúmenos teriam sentido a mão invisível de Adam Smith...), conseguimos limar algumas questões de RH e negociar alguns contractos que não estavam fáceis. 

Apesar de tudo, penso que conseguimos bons resultados e entrei de férias mais tranquilo ( ou menos stressado)

Os bancos chineses....

Se há coisa que me fascina são os bancos na china. Já o disse, e não paro de o repetir. 

Por exemplo, o simples facto de preenchermos um impresso para transferência bancária e colocar-mos um traço no sete, ou fizermos um caracter ligeiramente mais ao lado, é motivo suficiente para preencher um novo impresso. Nem que seja por 5 vezes, mas temos de preencher sempre tudo de novo. Não era a primeira vez que eu assistia a isto, mas de facto desta passou todos os limites. 

Mas o melhor estava para vir....
 
Fui ao banco levantar bimbys da minha conta portuguesa, ou seja da minha conta em Euros. Existe apenas um banco na china que permite fazer este tipo de operações ( um montante considerável de uma só vez) - Bank of China - todos os outros não podem fazer este tipo de movimentos. Mas sinceramente já me considero afortunado, haver um banco e não haver só um balcão em toda a china é de facto muito bom. 

Depois de 30 minutos, com a santa Yonnie a explicar o que queríamos, lá encontraram um manual de procedimentos da American Express, com pelo menos 7 anos, e começaram o processo.
Mais uns 10 ou 15 minutos e quando já têm a autorização telefónica, cópias do passaporte, papeis assinados dizem: " Não podemos dar o dinheiro". 

Ora tal como nós, também vocês perguntam: porquê?? Pois bem, a assinatura do cartão não é igual à assinatura do passaporte e à minha assinatura ( presencial). Isto de facto poderia acontecer, haver ligeiras diferenças lembro-me que a caixa alemã também marrou com a minha assinatura, mas de facto aqui foi melhor.

Todos os meus cartões têm na parte de trás " ASK ID" e como tal, diferenciava das restantes assinaturas, logo não podiam dar o dinheiro. Alguém imagina as dedicatórias que eu lhes fiz???

Depois de muitas idas ao multibanco, e de muitos e variados cartões passados lá consegui levantar tudo o que necessitava.
Mais tarde contei isto a um tipo do governo, até se espumou. Imaginem como é que eu estava...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Hospital

Não é que eu deseje mal aos outros mas não pode acontecer tudo sempre ao mesmo.

Desta vez foi a Yonnie que ficou doente, uma infecção na garganta, algo simples e que com a ajuda do Zé Bastos ficava rapidamente resolvida. Mas não, não mesmo. Primeiro porque estamos na China, segundo porque não temos o Zé Bastos por cá, terceiro porque descobri o segundo Deus adorado pelos chineses.

Eu já sabia que os carimbos eram algo de sagrado, mas este desconhecia por completo. Eu, e a Yonnie, macaense a quem certamente estas coisas fazem confusão.

Fomos ao hospital mais recente de Shaoxing, The Shaoxing People´s Public Hospital, um edifício gigante, espaçoso e estranhamente limpo. Os corredores são tão largos, que podíamos facilmente organizar corridas de macas, com 8 participantes de cada vez. Ainda não perdi as esperanças de montar lá um banca de apostas....

Na entrada informaram-nos que tínhamos de seguir até ao 3º piso, pois eram aí as consultas E.N.T ( otorrinolaringologia) e nós como meninos civilizados e bem comportados, chegámos, sentámos e esperámos. A secretária do tipo que devia estar a coordenar as coisas estava vazia, e assim se manteve, o painel informativo desligado e não havia um local para retirar senhas de atendimento. 15 minutos depois, fiz-me de estrangeiro parvo e resolvi ir à procura dentro dos consultórios.

Primeira sala em que entro, são 4 consultórios juntos em regime de open space, mas só dois estavam em funcionamento. Era isto mesmo que procurava, alguém que nos atendesse, embora fosse expectável um pouco mais de privacidade. Estava eu a elogiar aquilo, a dizer que pelo menos não era como no banco, que atendem 4 ou 5 ao mesmo tempo, mas falei antes do tempo. Aparecem umas criaturas não sei donde, nem para onde, foram entregar uns papeis e levantar outros, suponho que fossem atestados ou receitas. E claro, a consulta da Yonnie ficou a meio. Mas claro, na China sem mirones, assistência, plateia e claque não se faz nada...



Dez minutos depois de entrarmos, e já com as interrupções contabilizadas, saímos com uma prescrição interessante. Uns comprimidos que nem são peixe nem são carne, nem são medicina tradicional chinesa, nem medicina convencional ( para não dizer normal!!!) e ainda uns frasquinhos de ampolas para tomar com SORO. Sim soro, esse elemento tão importante do quotidiano chinês, que ambos desconhecíamos.

Antes de irmos para a sala das transfusões - o nome dá logo alento aos pacientes - fomos escada abaixo e escada acima, novamente escada abaixo e escada acima para pagar e levantar os medicamentos. Por falar em pagamento, para um país comunista, e para um "hospital do povo" os tipos esticam-se à grande. Voltando às transfusões....

Foi necessário fazer um teste qualquer à pele, tipo reacção alérgica, como o braço não caiu disseram que estava tudo bem e que podia então começar com a dose de 500 ml de soro.

A sala de transfusões, este nome arrepia-me, era de bradar aos céus. Estavam certamente mais de 100 pessoas a levar soro, divididas em duas salas e a passear nos corredores e aposto que na sua maioria nem elas nem quem prescreveu o soro sabia o motivo. Mas o importante é o soro!!!! Claro que este processo é público e partilhado, na mesma mesinha colocam agulhas a 3 ao mesmo tempo, o que ainda dá mais animo.






Um tipo levar soro só porque tem uma dor de garganta já é bom, mas pior é ter uma dor de garganta e ser criança. Não só leva o soro, como ainda espetam a agulha na testa. Isto sim é um crueldade. nem aos toiros espetam as bandarilhas na cabeça....





Eu sou aquela pessoa que gosta de hospitais, e além de hospitais gosto de massas humanas ( vulgo ajuntamentos e carneiradas). A combinação dos dois, e tendo em conta que a massa humana era chinesa, devem ter uma pequena ideia do quanto eu estava a gostar daquilo.

Durante o tempo que passamos tivemos oportunidade de ver um pouco de tudo, nisto os hospitais chineses são melhores que os europeus, têm um sistema de animação e entretenimento nunca visto ( graças a Deus) noutro lado. Onde mais é que se consegue ver, num só sítio, numa só manhã, no espaço de uma hora e numa fila de bancos ( o nosso campo de visão):

- Uns 10 putos a fazerem xixi para o chão?
- Uns 2 ou 3 putos a fazerem cócó para o mesmo local?
- Umas criancinha a fazer xixi para cima da mãe e para o chão?
- Um a escarafunchar o nariz até encontrar o tico ( o teco pelo aspecto dele deve estar morto à muito...)
- Uma mãe a dar de mamamr à cria na cadeira ao nosso lado?

Pois é, estas coisas nem nos sistemas de saúde nórdicos são passíveis de encontrar, e penso que o ambiente hospital teria muito a melhorar com a implementação destas personagens. Relembro que tudo isto só é possível porque as calças das crianças não têm rabo, e não se usa cuecas, o que facilita os processos logísticos. Querem imaginar como é o chão desta sala??????


Na foto abaixo conseguem ver uma mãe que no fim do filho ter regado o chão todo monopolizou um balde só para ela ( sim, o balde é tipo sanita, mas sem autoclismo), podem ainda ver uma mãe com o filho ao colo no fim de tanto ela como uns quantos metros quadrados de chão terem sido regados, e se fizerem zoom vêm ainda as calças sem rabo.



Depois de uma manhã nisto, aparentemente sentiram-se resultados, mas não invalidou lá ir no dia seguinte para mais uma dose de soro, desta vez de 600 ml, e ainda de uma prescrição para o terceiro dia para dose igual. A sorte é que ela já lá não pareceu mais, caso contrário iria andar um mês todos os dias a levar soro, até ficar com as veias tipo coador.

O regresso

Por acaso tive a sorte e a felicidade de vir a Portugal na semana em que se casava a Carolina, e como tal fui ao casamento.
Não há muito a dizer, simplesmente o casamento mais fantástico em que estive, e o que me deixou mais feliz e emocionado :))))

No dia seguinte tinha o voo para Shanghai ( de onde vos escrevo) às 11 AM, o que não foi nada fácil. Digo mesmo, foi um voo complicado, atribulado e tudo o mais.

A todos os que vierem só posso recomendar a Lufthansa, caso contrário estarão sempre a levar com o pior de 2 continentes....


P.S: Foi dos poucos casamentos, que apesar de ter dois carros estacionados à porta, não disse ao noivo que tinha a fuga preparada.

As viagens

Viagem que é viagem, e viagem em que eu participo tem por certo peripécias dignas de um filme....
Começou em Shaoxing, com o comboio para Shanghai. Tinha combinado com o Cláudio Brasuca que iríamos juntos até Shanghai, e de comboio. Claro que não conseguimos apanhar o comboio que queríamos e tivemos de recorrer ao “onibus”.

Estação de autocarros em Shanghai, entrámos no metro e fui ter com a Elsa, supostamente iríamos jantar. Afinal não fomos jantar, mas eu ainda fui para casa dela, transferir umas coisas da mala, para a bagagem de mão. Ela continuou nas compras....

No fim de meia hora a arrumar e pesar tudo, fiquei com 23kgs na bagagem e pensei “ Não deve haver problema”. Estava na hora de ir apanhar um táxi até Pudong, fazer o check-in calmamente e só depois ir jantar e depois free shop.

O check-in de facto foi feito calmamente, não por eu estar relaxado, mas pelo tempo que demorou. 3 horas, 3 horas para me ver livre das malas. Depois de tempos e tempos na fila, pesaram-me a bagagem de mão ( coisa para pesar 30 kgs) e informaram-me que tinha de seguir para o porão, porque só é possível embarcar com 12 kgs e um único volume. Não vou dizer quanto tive de pagar de excesso de bagagem, mas apesar de tudo a menina foi simpática, paguei menos de metade dos quilos totais. Depois de passar todos os controlos de segurança, na porta de embarque estão novamente a conferir o peso e a dimensão da bagagem, ao ponto de recusarem um trolley a um espanhol porque tinha 13 kgs. Felizmente consegui contornar esta parte, caso contrário voltaria a ter problemas e a pagar excesso de bagagem.

Aquilo que era suposto ser um jantar bom e calmo, seguido de uma secção de duty free, foi uma porcaria de um jantar à pressa, bem caro e já sem tempo de entrar sequer nas lojinhas.
Aposto que estão a pensar, sim eu estava bem disposto, e ensinei várias palavras novas aos senhores da Air France e do aeroporto de Shanghai. Mas melhorr só um italiano, na fila ao lado da minha, que já se estava a preparar para bater nos franceses.

Em Paris, foram 2 horas para atravessar o aeroporto e fazer o controlo de segurança, só deu tempo de ir comprar um foie gras, na única loja aberta do aeroporto. Com isto, fui o último a entrar no avião. Ahh, ainda deu tempo para com o meu chinês vergonhoso, ajudar uns chinos no controlo de passaporte em França, mas isto foi coisa para 5 minutos, enquanto aguardava a minha vez.

Runaway

Como alguns sabem, tive de me deslocar a Portugal por motivos de trabalho.
Algo muito rápido, e com o maior dos sigilos, mesmo lá em casa.

As reacções quando me viram foram fantásticas, uns iam caindo para o lado ( tipo pai e mãe), outros não acreditavam que eu estava em Portugal, pensavam que estava a ligar pelo Skype, houve outros ainda que me cumprimentaram em modo automático, sem sequer perceberem que era eu. Quando caíram em si, ficaram com a cara de todos os outros.

Uns diziam que vim extraditado, outros que tinha desistido, e houve quem dissesse que eu vinha “fugido”.

O problema do visto está parcialmente resolvido, já tenho o Z, mas novamente de 1 entrada. Quando chegar a Shaoxing terei de ir à polícia, fazer um novo requerimento.

Infelizmente não estive com todos com quem gostaria de estar, e mesmo com os que estive foi durante pouco tempo. Tenho de agradecer aos que fizeram algumas centenas de quilómetros para me ver, mas em especial ao meu grande amigo Carlos, sem ele teria sido difícil levar esta surpresa até ao fim.